A eliminação do Brasil para a Noruega foi marcada por um sentimento diferente das derrotas recentes em Copas do Mundo. Mais do que o resultado, a principal frustração ficou na impressão de que a Seleção abriu mão de disputar o protagonismo da partida, adotando uma estratégia excessivamente cautelosa do início ao fim.
O plano de jogar nos contra-ataques fazia sentido, mas foi levado ao extremo. Durante grande parte do confronto, o Brasil optou por esperar a Noruega, sem pressionar a saída de bola e sem buscar controlar a posse. Embora tenha criado oportunidades para vencer, a equipe praticamente não mudou sua postura nem mesmo quando o cenário exigia mais ousadia.
Os inúmeros desfalques também pesaram no desempenho brasileiro. Lesões e ausências de jogadores importantes, como Lucas Paquetá, Rodrygo, Raphinha, Militão, Wesley e Estêvão, limitaram as opções do técnico Carlo Ancelotti e impediram a consolidação da evolução que a equipe vinha apresentando ao longo da competição.
As substituições dividiram opiniões, mas não foram apontadas como a principal causa da derrota. A entrada de Neymar, por exemplo, ganhou destaque no debate público, porém a análise indica que o problema esteve muito mais na ausência de uma mudança de estratégia do que nas alterações promovidas durante a partida. Mesmo com novos jogadores em campo, o Brasil manteve a mesma postura defensiva.
A Noruega soube explorar suas características e teve paciência para decidir o confronto. Apostando na força física, nas bolas longas e na qualidade de seus atacantes, a seleção europeia administrou o ritmo da partida até encontrar o momento certo para marcar, enquanto o Brasil permaneceu preso ao plano inicial sem apresentar um "plano B".
O saldo da campanha deixa mais questionamentos do que respostas. Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo do ciclo e dos problemas com lesões, a maior crítica recai sobre a falta de iniciativa da Seleção. Para muitos analistas, o Brasil não foi eliminado apenas pelo adversário, mas pela incapacidade de assumir riscos e buscar uma alternativa durante o jogo, encerrando sua participação na Copa com a sensação de que "nem tentou".
