Um agrotóxico proibido na Europa vem ganhando cada vez mais espaço nas lavouras brasileiras. O diquate teve seu uso multiplicado por dez até 2024, segundo dados monitorados pelo Ibama, avançando como alternativa após a proibição do paraquate no Brasil, em 2017.
A expansão, porém, ocorre em meio a preocupações com a saúde pública. Dados oficiais do SUS, compilados em investigação da Repórter Brasil e da organização suíça Public Eye, registraram 250 casos de intoxicação por diquate entre 2018 e 2025, período em que ao menos 40 pessoas morreram.
Do total de mortes, seis foram classificadas como acidentais e 34 ocorreram por suicídio mediante a ingestão do agrotóxico. Os números expõem os riscos de uma substância cuja presença no mercado brasileiro cresceu justamente após a retirada de outro pesticida da mesma família química.
O paraquate foi banido pelas autoridades brasileiras devido a preocupações relacionadas aos seus possíveis impactos sobre a saúde humana, incluindo riscos associados a mutações genéticas e à doença de Parkinson. A substituição de um produto considerado perigoso por outro químico semelhante levanta novos questionamentos sobre a segurança dos trabalhadores rurais e da população.
A Syngenta, responsável pela marca comercial mais conhecida do diquate e associada, segundo a investigação, a pelo menos 65% dos registros de intoxicação, afirma que o produto é seguro quando utilizado de acordo com as instruções da bula. Já autoridades europeias concluíram que existem riscos elevados mesmo com o uso de equipamentos de proteção. O contraste entre as restrições internacionais e a expansão do produto no Brasil reacende o debate sobre a regulação dos agrotóxicos e a proteção à vida.
